domingo, 25 de maio de 2008

Estradas

Era tarde de outono. Um sol tímido repousava em um céu claro e azul. A brisa do vento batia no rosto e deixava uma sensação de tempo perfeito. Uma tarde simples naquela praça, porém aquele momento seria único e extremamente especial.
Avistei um homem, já maduro; aparentava ser uma pessoa humilde. Era alto e muito magro, vestia roupas sujas de poeira e suor. Carregava consigo uma mochila de aventureiro, daquelas velhas de pano que eram usadas para acampar. Estava cheia dos seus pertences, provavelmente tudo que ele tinha naquela vida se encontrava naquela mochila. Sua pele queimada pelo sol mostrava que ele estava em viagem à muito tempo. Sua face, tão pálida e singela, estava castigada pelo tempo. Seu olhar, cansado e pacífico, olhava para a praça com certa intimidade. E sua barba, que à tempos estava sem ser feita, destacava a sua condição de viajante.
Logo concluí que ele se tratava de um Andarilho, aquelas pessoas que caminham por aí, sem um destino certo, somente andando por este mundo do Nosso Senhor sem eira e nem beira. São apenas guiados pelo vento e suas próprias vontades.
Por que aquele homem era um Andarilho? Estava fugindo de alguém, ou de algo? Queria deixar o passado no longínquo? Não sei os motivos daquele viajante, mas sei que ele tem uma estrada para percorrer.
A vida de cada ser humano é como uma estrada de mão única: Cada um tem de trilhar o seu próprio caminho. Cada qual vai caminhar esta estrada chamada Vida com seus próprios pés e do seu próprio modo.
Às vezes, é comum os caminhos das pessoas se encontrarem. Por várias vezes, estradas se unem às nossas, e pessoas começam a caminhar o mesmo caminho que o nosso. Outras vezes, estas pessoas saem da nossa estrada, mas não sem deixar uma lembrança para nós. Em algum momento, antigos companheiros de viagem, que distanciaram à muito tempo das nossas vidas, voltam para trilhar mais um pouco conosco, trazendo consigo as experiências de outras estradas. Temos ainda aqueles que entram em nossas estradas de repente, e saem delas também com a mesma facilidade. Existem ainda aquelas pessoas que ficam tanto tempo em nossas estradas, que quando saem, sentimos falta do companheiro de viagem. Tem aqueles que entram em nossas estradas para a nossa vida toda, e até temos aqueles que nos abandonam no meio do caminho, não trilhando o seu próprio caminho, mas ficando para trás, e na memória daqueles que caminham para frente.
Acredito que como aquele Andarilho, assim eu sou; caminhando na minha própria estrada. E guardarei sempre uma lembrança de todos aqueles que compartilharem do meu caminho. Esta é a vida, leitor: Você mantém no lado esquerdo do peito tudo que você mais preza. Guarda lá no seu cofre da sua alma tudo aquilo que você não consegue deixar para trás, pendura a chave dele no seu pescoço, e vai para a viagem da sua vida!
Parece que o Andarilho está de partida. Ele arruma sua mochila em suas costas, ajeita suas roupas, toma um gole de água na fonte da praça, e começa a caminhar sem rumo, como sempre. Para onde será que ele vai desta vez? Seja para onde for, que você tenha uma boa viagem, Andarilho!

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